• Tarsiane Santos

Crítica | Mandela: O caminho para a liberdade


Reprodução/Amazon


O filme ‘’Mandela: O caminho para a liberdade’’, do ano de 2013 dirigido por Justin Chadwick fala sobre Nelson Mandela, que foi uma figura importante de resistência na África do Sul. Analisando o apartheid, é importante ressaltar que esse é um aspecto da África e não ela na totalidade, pois como disse Chimamanda Adichie, a história única é um problema.


O enredo do filme é focado na vida de Nelson Mandela (Idris Elba), então começa com sua infância e chega à fase adulta, onde os brancos europeus detinham todo o poder político e econômico da África do Sul e luta pelos direitos da população africana com sua esposa Winnie Mandela (Naomie Harris) e seus companheiros do CNA contra a segregação racial provocada pelo apartheid, onde foram feitas manifestações e uma desobediência civil. O CNA acaba perdendo sua legalidade, Mandela e seus companheiros são condenados à prisão perpétua, onde sofreram toda a categoria de agressão, Mandela mandava cartas para suas filhas e elas não eram enviadas, mas o povo africano não se cala e vai à luta pelo fim do apartheid e pela liberdade de Nelson Mandela, seu líder. Todas essas lutas resultaram no fim dessa segregação quando o presidente da África do Sul é alterado e Mandela é libertado, e assim quando os negros recebem o direito de votar, Nelson Mandela é eleito o presidente do país, sempre dizendo que os negros não devem fazer como os brancos e os odiarem por sua cor de pele.


A África do Sul foi dominada por alemães, holandeses e ingleses. Os ingleses passaram a controlar o país no ano de 1814. As leis instituídas no país favoreciam a minoria branca, onde tinha poder sobre os nativos, originando o apartheid, consolidado em 1948.

No apartheid, os africanos não tinham o direito de votar, nem adquirir terras na maior parte do país, eram separados dos europeus e tinham que andar com um passe na rua, além disso, não podiam existir casamentos nem relações sexuais entre etnias diferentes.


Até 1950, diversos locais eram habitados por etnias variadas. Mas, nesse ano, o Ato das Áreas de Grupo delimitou setores específicos para os negros — geralmente, nas zonas rurais, com pouca infraestrutura e saneamento. Essa lei também servia como desculpa quando o governo queria executar remoções forçadas.


As vítimas do apartheid eram também proibidas de frequentar universidades e não podiam estudar nas mesmas escolas que os brancos.

Na cidade de Johanesburgo- onde se passa o filme- ocorreu o massacre de Sharpeville, no dia 21 de março de 1960, onde os africanos protestaram contra a Lei do Passe, que continha os lugares que eles poderiam ir, sendo proibidos de passarem por certos lugares por serem negros. No massacre, houveram 69 mortes e 180 pessoas feridas, onde estava sendo feita uma manifestação pacífica.

A população de negros na África do Sul era de 19 milhões, enquanto de brancos, 4,5 milhões. A alocação de terras de 87% para os brancos e apenas 13% para os negros, a mortalidade infantil era de 60% enquanto os brancos 2,7%.


Massacre de Sharpeville (Reprodução/Museu Africano)


O filme é muito rico nesses detalhes, e passa uma ideia muito clara de como a população da África do Sul sofreu, morreu, e lutou contra um governo que não foram eles que escolheram, completamente racista e opressor que buscava recorrer sempre à violência, visto que eram eles a minoria, os intrusos. Os personagens, mesmo que com todas as ameaças e o poder voltados contra eles, sempre buscavam lutar contra essa política, retratando a imagem de africanos que resistem e que juntos podem vencer e conquistar seus direitos. Em vários momentos os personagens dizem ‘’sozinhos não somos nada, mas juntos temos o poder’’, pois todos juntos eram a maioria, os nativos que deveriam ir à rua e reivindicar e ter os direitos sobre seu país.


O apartheid acabou na África do Sul a muitos anos, mas infelizmente ainda há no mundo, principalmente na Europa o racismo e o preconceito muito forte com os negros, por pessoas que são muitas vezes vítimas da história única, contada de apenas um aspecto, visando os opressores e não os oprimidos. Tornando o continente africano algo singular, quando existem países diferentes e histórias diferentes, pensam que o continente africano é um país único onde todos sofrem pela falta de comida e alimento.


As estatísticas de desigualdade também se fazem presentes, como o número de pessoas negras assassinadas ser maior que o número de pessoas brancas, mais brancos ingressam em universidades do que negros. Isso mostra que a luta deve continuar, pois, sozinhos não somos nada, mas juntos temos o poder. ‘’ Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.’’ — Nelson Mandela.


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Por Tarsiane Santos

Projeto acadêmico