• Tarsiane Santos

As teorias da comunicação e do jornalismo presentes em ‘’Spotlight - Segredos Revelados’’


Reprodução/Sony Pictures Brasil


O filme Spotlight — Segredos Revelados foi lançado em 2015 e possui dois Oscars, nas

categorias ''Melhor Filme’’ e ‘’Melhor roteiro original’’. Baseada em fatos reais, a produção mostra a rotina do núcleo de jornalismo investigativo do jornal The Boston Globe. Embora seja uma versão hollywoodiana da história, é possível analisar e compreender teorias da comunicação social a partir de sua apreciação.


A equipe composta por Michael Rezendes (Mark Ruffalo), Walter Robinson (Michael Keaton), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) e Matt Carroll (Brian d’Arcy James) é focada em escrever matérias de cunho social relevante, independente do tempo disposto para as investigações. Durante o longa, os olhares estavam sob casos de pedofilia nas igrejas católicas de Boston.


Aplicando teorias da comunicação e do jornalismo é possível identificar que elas nem sempre podem ser cumpridas na prática da profissão, seja por fatores humanos ou editoriais. Um exemplo disso está na própria escolha da pauta: um novo editor-chefe chegou até a redação e insistiu para que o caso — que era considerado irrelevante para a redação — fosse aprofundado, implicando na Teoria do Gatekeeper, que considera o jornalista como o único responsável pela tomada de decisão.


Em certo momento, o editor Marty Baron (Liev Schreiber), sugere que o veículo de comunicação entre na Justiça para acessar documentos sigilosos sobre o caso, causando estranhamento em toda a equipe. A ideia de que ‘’o The Boston Globe processará a igreja’’, se encaixa na Teoria Empírica do Campo, onde a mensagem midiática passa por filtros sociais e individuais antes de ser absorvida. Por isso, houve um certo receio com a reação dos leitores a respeito das questões judiciais envolvendo outra força social de grande influência na cidade.


Ainda durante a apuração, os repórteres se deparam com situações conflitantes ao jornalismo imparcial e de postura neutra, como explica a Teoria do Espelho. Um dos jornalistas havia estudado no colégio onde um padre havia feito vítimas e tinha relação com o advogado que fez acordos secretos para a Igreja. Já outro integrante da equipe, morava perto de um dos ‘’centros de reabilitação’’ para os pedófilos. Esses fatos revelam ser impossível não se envolver emocionalmente com a notícia, quebrando o estereótipo de frieza na profissão e mostrando também que é possível realizar um bom jornalismo mesmo sem total imparcialidade.


Foi necessário ainda engavetar a matéria por conta do atentado de 11 de setembro nos Estados Unidos, para voltar a cobertura ao fato. Depois de um tempo, a pauta foi retomada, mas considerando os impactos causados na população em meio às festas de fim de ano, ficou decidido que a reportagem seria publicada no início do ano seguinte. Essa ação se ampara na Teoria do Agendamento, sugerindo que os meios de comunicação implicam nos nossos relacionamentos e conversas, defendendo que os consumidores de notícias consideram mais importantes os fatos veiculados na imprensa.


Assim que a reportagem foi ao ar, a redação recebeu inúmeras ligações de outras vítimas que buscavam denunciar e contar seus relatos, onde entra a Teoria Funcionalista para estudar o papel da mídia na sociedade, entendendo o impacto da comunicação em cada indivíduo. Por fim, a obra dirigida por Tom McCarthy enaltece e demonstra o jornalismo investigativo com todos os seus reais impactos.


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Por Tarsiane Santos

Projeto acadêmico