• Tarsiane Santos

A história por trás das ruas de São Paulo

Acervo Histórico Municipal tem ferramenta para manter viva a história da cidade na vida dos paulistanos.

Planta geral da capital de São Paulo organizada por Dr. Gomes Cardim, 1987/ Arquivo Histórico


Para os paulistanos é comum conviver com diversas ruas diariamente, algumas com nomes de pessoas, outras, datas importantes e até estados ou países. Na região metropolitana são mais de 326.058 logradouros, só na capital são mais de 50.000. Pela rotina, é provável que a origem desses nomes por trás das placas azuis se percam, então, o Arquivo Histórico Municipal trouxe o Dicionário de Ruas.



Dentro do projeto — no ar desde 2003 — qualquer cidadão pode acessar curiosidades, história, fotos e mapas da cidade, além da consulta dos nomes das ruas, avenidas, alamedas e travessas oficializados, das conhecidas placas espalhadas pela metrópole, que não eram utilizadas até o século XIX, pela extensão ainda pequena.


Esse crescimento rápido e considerável da capital paulista no início do século XX levou a prefeitura a criar atos e decretos que buscavam oficializar os logradouros, sendo que a população saltou de 65.000 habitantes em 1890, para 240.000 em 1900. No início a legislação restringia a escolha a nomes de pessoas, fatos, datas ou notícias importantes, mas hoje vemos nomes ligados à arte, cultura e ciência.


O primeiro logradouro da cidade foi o Pátio do Colégio, onde São Paulo foi fundada em 25 de janeiro de 1554. No dicionário é possível encontrar a história desse e de muitos outros, ‘’É importante trazer essa sensibilização para que o morador conheça a história local e descubra que a sua rua também tem uma história, e não apenas as vias tradicionais da cidade. Por trás de cada placa existe uma história. E quando você a conhece, você passa a ter um sentimento de pertencimento àquele lugar’, disse Luís Soares, diretor do Arquivo ao IG.

Dados: Prefeitura de São Paulo/Arquivo Histórico Municipal


A IMPORTÂNCIA DE NOMEAR LOGRADOUROS

Frequentemente, projetos de lei relacionados à nomeação de logradouros são fortemente criticados pela população. Mas uma rua não legalizada pode causar diversos prejuízos para os próprios moradores, pois sem um endereço adequado com CEP, deixarão de desfrutar de inúmeros serviços, como fazer documentos, matrículas em escolas, solicitação de socorro, cadastros em lojas e etc.


A referência histórica é tão grande, que diversos nomes têm sido repensados, como, por exemplo o antigo elevado Costa e Silva, que em 2016 passou a se chamar ‘’Elevado Presidente João Goulart’’, mudança essa com o intuito de exaltar um presidente democraticamente eleito, ao invés de um general do período ditatorial.


Por isso, o Dicionário está sempre em constante atualização, e agora um problema que era de ruas sem nome, agora se inverte e diversos nomes aguardam o dia em que virarão endereços.


COMO DAR NOME À UMA RUA?

Para indicar nome para um logradouro, o cidadão pode ir à Secretaria da Habitação e apresentar um requerimento, cópia do IPTU, atestado de óbito do homenageado, uma pequena biografia o e croqui de localização da rua.

Avenida São João no bairro de Santa Cecília em 1930/Arquivo Histórico de SP


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Por Tarsiane Santos

Projeto acadêmico